Mais de meio milhão de brasileiros tem colesterol alto; diagnótico e tratamento precoce evitam AVC e infarto

Diagnóstico precoce evita infarto e AVc

Cerca de 50% dos homens com hipercolesterolemia familiar (HF) serão vítimas de infarto antes dos 50 anos e, se isso não acontecer nessa faixa etária, com certeza quase todos eles terão infartado ao chegarem aos 70 anos. Entre as mulheres, o quadro também é alarmante: 12% delas sofrerão infarto em torno dos 50 anos, e quase a totalidade desse grupo (74%) terão esse mal ao chegarem aos 70 anos. Em casos extremos, ainda adolescentes, eles têm que ser submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio. São mais de 350 mil brasileiros nessa condição, sendo que menos de 3.500 deles sabem que possuem essa bomba-relógio no peito que precisa ser urgentemente desarmada com tratamento precoce, à base de medicamentoso e de estilo de vida.

O diagnóstico adequado da hipercolesterolemia familiar pode mudar a história das famílias que têm a alteração genética para a doença. “Com o tratamento correto, é possível retardar de 10 a 30 anos a mortalidade em pessoas com esse mal, com melhora substancial de sua qualidade de vida, já que elas terão menos eventos cardiovasculares ao longo dos anos”, explica o cardiologista do Incor Dr. Raul dos Santos Filho, diretor da Unidade Clínica de Lípides do Instituto do Coração.

Infelizmente, cerca de 614.000 brasileiros – aqueles 90% que sequer imaginam que têm a doença – não se beneficiarão dessa possibilidade que lhes abre um diagnóstico correto para a HF, por ignorarem a sua condição metabólica. É bem provável que uma parte deles passará anos indo de médico em médico sem ter solução para seu colesterol alto.

Nesse meio tempo, o processo de aterosclerose no seu organismo, acelerado desde o nascimento pela doença, irá evoluir mais rapidamente que o comum, aumentando de 10 a 20 vezes o risco de obstruções nas veias e artérias do coração (infarto) e do cérebro (acidente vascular cerebral).

Meta

O Hipercol Brasil foi criado em 2009, com a ambiciosa meta de diagnosticar, direta ou indiretamente, toda a população brasileira vítima da hipercolesterolemia familiar, mal que acomete 1 em cada 300 habitantes.

O programa mantém um site para a população (www.hipercolesterolemia.com.br) com informações sobre como identificar a hipercolesterolemia familiar e contato com a equipe do Incor no hipercolbrasil@incor.usp.br e no telefone 11- 2661-5329.

O Hipercol Incor tem apoio financeiro do Hospital Samaritano, através do Proadi-SUS do Ministério da Saúde. Em âmbito internacional, mantêm cooperação com outros dos poucos centros que são referência em HF no mundo, como a Fundación Hipercolesterolemia Familiar, na Espanha; e organismos internacionais da especialidade (International FH Foundation) e o Iberoamericano (Red Iberoamericana de Hipercolesterolemia Familiar).

O Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor é o único do País a realizar diagnóstico genético com rastreamento em cascata da hipercolesterolemia em famílias.

Como tratar
O colesterol alto está comumente associado a maus hábitos alimentares, à falta de atividade física e a fatores diversos, como disfunção hormonal e obesidade. Nesses casos, geralmente a administração de estatinas (em média, 10 a 20 mg), associada à dieta de baixo colesterol e à prática de atividade física costuma equilibrar os níveis de colesterol no sangue.

Na hipercolesterolemia familiar, contudo, o tratamento medicamentoso tem que ser mais agressivo para dar resultado. A terapia clássica nesses casos inclui estatinas em doses maiores (40 mg ou mais) associadas a outro medicamento, a ezetimiba. A adesão à dieta alimentar de baixo colesterol e a prática de atividades físicas regulares são fundamentais no tratamento da doença.

Foto e Fonte: Divulgação

Sobre Lílian Moraes

Jornalista profissional, graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), apaixonada por moda e todo o universo fashion.